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O DIÁRIO VISUAL ÍNTIMO
A jovem artista Natacha Merrit expõe
sua vida sexual através de fotos pela Internet numa espécie de diário
on line.
Porque uma garota de 23 anos decide documentar sua vida pessoal
com uma câmera digital? Porque o aspecto mais importante de
sua vida pessoal são suas experiências sexuais? E porque
esta garoto decide participar publicamente estes seus relatos visuais?
Natacha Merrit
é fotógrafa de destaque no cenário das mídias
digitais contemporâneas. Seu projeto consiste em registrar
através de fotos digitais a sua vida íntima, suas
relações sexuais, publicando-as posteriormente na
Internet, para serem vistas por milhares de espectadores de qualquer
parte do mundo e a qualquer hora do dia. As fotos de seu diário
visual, são feitas por ela mesma utilizando uma câmera
digital. Este equipamento a permite registrar centenas de imagens
sem precisar do filme foto-sensível nem tampouco de ampliá-las
ou imprimi-las em papel fotográfico. Conectada a um computador,
suas imagens podem ser transferidas e processadas digitalmente através
de um software de imagem, como Photoshop ou Illustrator, da mesma
maneira que podem ser transferidas, como arquivo jpg ou gif, para
serem visualizadas em um web site.
A pequena dimensão
destas câmeras digitais e sua versatilidade operacional permite
que a artista utilize o equipamento com extrema facilidade, não
necessitando de acessórios complementares, como tripé
e spots de luz. Quase que como uma extensão natural de seu
corpo, a câmera adentra o cenário de quartos e banheiros,
acompanhando as aventuras sexuais de Natacha e de seus momentos
mais íntimos. As vezes captando cenas de seus/suas companheiros(as),
as vezes se auto-fotografando, como se assumisse o ponto de vista
do outro, a artista constrói imagens que relatam a intimidade
das situações vivenciadas, com a mesma cumplicidade
e subjetividade de um texto escrito em um diário. Seu relato
é direto, objetivo, escancarado. Sua crônica visual
é evidente ao trazer à público aquilo que lhe
é mais próprio e exclusivo: a sua própria privacidade
sexual e como ela é construída através das
imagens.
Há, por
outro lado, muita ternura no trabalho de Natacha. Por detrás
destas iconografia muitas vezes agressivas e pesadas, está
uma garota que quer francamente compartilhar a sua identidade corporal
e sexual conosco, usando para isso a fotografia digital e a Internet.
Ao se mostrar publicamente de forma tão despudorada, Natacha
nos faz ver em suas imagens obscenas algo de nós mesmos.
Nos faz confrontar com nossas próprias perversidades. Seu
projeto estético se completa ao encontrar no espectador perplexo
e ao mesmo tempo curioso esta cumplicidade.
Quem quer conhecer
mais o trabalho da artista visite o site www.digitaldiaries.com
ou veja um trabalho produzido em vídeo no www.heavy.com.
A editora Taschen publicou recentemente em português um livro-portifólio
da artista denominado Digital Diaries.
(Roberto Moreira
S. Cruz)
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