O CINEMA ON LINE ESTÁ NAS MÃOS DOS REALIZADORES, APROXIMANDO-OS DE SEU PÚBLICO
Scott Smith, especialista em cinema digital, dá dicas para que diretores utilizem as novas ferramentas disponíveis na Internet e dêem adeus aos velhos formatos de festivais.

"A nova geração de diretores têm nas mãos meios de controlar todo o processo de se fazer cinema. Não apenas na produção, mas também através da distribuição", dispara Scott Smith colunista da revista Res, sobre cinema digital, e co-fundador do Silver Planet Studio, uma empresa de produção de filmes digitais dedicada a cinema para web. "Todo os obstáculos que os grandes estúdios impuseram entre o diretor do filme e seu público (produtores, agentes, distribuidores, exibidores etc) podem ser demolidos pela Internet.

Smith acredita que a web está fornecendo cada vez mais e mais ferramentas e possibilidades para que os realizadores hospedem e passem seus filmes para a tecnologia streaming, além de fornecer gratuitamente uma série de softwares que podem ajudar na produção. "Praticamente tudo que você precisa para fazer filmes está on line. Você pode fazer downloads de programas da Apple, de filtros do After Effects e de softwares que são ferramentas para animações e fotos".

Smith cita o site da EVEO (www.eveo.com) que fornece programas para criação de áudio e edição e o Earthnoise (www.earthnoise.com) que disponibiliza através do EarthCast uma maneira se capturar, editar e colocar em streaming seu vídeo diretamente de uma câmera digital e num sistema simplificado. Sites como Icast.com, AntEye.com e CameraPlanet.com proporcionam um vasto espaço no servidor para hospedar e fornecer vídeos em streaming. Para os internautas-visitantes há sempre a possibilidade de criar canais personalizados com os vídeos preferidos e de entrar em contato com o realizador.

Mas Smith não fica por aí e acredita que podemos dar adeus aos festivais tradicionais. "Muitos realizadores estão construindo sua audiência através da Internet". Se antes eles precisavam ir até aos festivais para serem vistos e para mostrar seus trabalhos agora estão usando a web. "Puristas podem dizer que o circuito dos festivais é um ambiente insubstituível que possibilita ao realizador criar uma comunidade, estar em contato com o mercado e com fóruns de discussão." Mas, diz Smith, "lembrem-se que todos estes conceitos estão agora sob a nomenclatura da Internet mais conhecidos como listas, newsgroups, e-commerce, chat rooms."

Ele cita também o caso do filme "More" de Mark Osborne. Apesar de ter sido indicado ao Oscar e ter ganho prêmios em festivais, mesmo assim, seu curta de 6 minutos teria caído na ostracismo se não fosse a Internet. "More", exibido pela Ifilm ficou 1 ano na lista dos filmes mais acessados e Osborne ganhou uma legião de admiradores que aguarda ansiosamente pelo seu próximo trabalho. Scott Smith completa: "Rapidamente, as únicas barreiras que existirão entre realizadores e público serão aquelas criadas por eles mesmos.

(Francesca Azzi)