JÁ NA TERCEIRA IDADE, JODI AINDA É DE TIRAR O FÔLEGO!
O site holandês Jodi traz uma arte experimental e interativa genuinamente nascida e desenvolvida para a web.

Um dos trabalhos de net art mais desconcertantes que se pode acessar na Internet é o dos holandeses Joan Heemskerk e Dirk Paesmans. Eles criaram em 1997 o site Jodi, premiado em todo o mundo pela sua originalidade temática.

Explorando técnicas de navegação nem um pouco amigáveis, Jodi é uma espécie de manifesto interativo às avessas. Projetado para intrigar o usuário pela sua anarquia construtiva, sua tela exibe imagens de ruídos, textos de linguagem de programação arcaica e ambientes gráficos de difícil compreensão. Ao interagir com a obra, o espectador se sente aturdido com uma gama de informações aparentemente sem sentido e que se articulam aleatoriamente, segundo critérios não definidos.

Acostumado a páginas e mais páginas na rede de caráter puramente comercial e referencial, diante de Jodi a reação é de constrangimento, de estranheza, devido à sua estrutura atípica. Buscando normalmente clareza e objetividade, o usuário se esquece de que a interatividade é antes de mais nada um recurso que permite a sensorialidade, o contato, a permutabilidade e que tais ações podem ser exploradas exclusivamente como fator de criação e transformação, independentemente de sua função.

Andrew Lippman, um dos papas do Media Lab em Massachussets, ressalta que a natureza impura da interatividade, como ocorre na experiência Jodi, evita construir um sistema que tenha um caminho obrigatório, que tenha de ser seguido, a não ser que seja mudado e que sofra uma ação transformadora, pondo em crise uma certa hierarquia e autoridade comuns aos sistemas comunicacionais tradicionais.
Confira em www.jodi.org

(Roberto Moreira S. Cruz)